Passa a correr Como ave de rapina Ou deixa-se estender Uma tarde de neblina O sol vai fazendo aros E mudam-se as vontades Os corpos e os lugares A sorte e o poder Mas o tempo teima e fica O tempo viu morrer A nascente de um rio Viu um amor por alguém Gerar outro ser vivo O sol vai fazendo aros Só não muda quem não vê Quem parece estar parado Ou tenta trocar o passo Se o tempo e o espaço Parecem não falar Cantemos até o gelo quebrar Se o tempo e o espaço Parecem não falar Dancemos até o rio chegar ao mar Guardadas nas raízes Uma longa tradição Vão mudando os ventos Vão passando outra estação O sol vai fazendo aros E os muros estão intactos Como o cheiro da infância Ou o nome que te dei Mas o espaço teima e fica Está lá sem que se peça Como o ombro mais amigo Alheio à confusão E à pressa do fim da pressa O sol vai fazendo aros E o espaço é decorado A gosto e a contra-gosto Geração em geração Se o tempo e o espaço Parecem não falar Cantemos até o gelo quebrar Se o tempo e o espaço Parecem não falar Dancemos até o rio chegar ao mar Se o tempo e o espaço Parecem não falar Cantemos até o gelo quebrar Se o tempo e o espaço Parecem não falar Dancemos até o rio chegar ao mar Se o tempo e o espaço Parecem não falar Cantemos até o gelo quebrar Se o tempo e o espaço Parecem não falar Dancemos até o rio chegar ao mar