Lá tinha água de bica, sem caixa e torneira Desagua rica, lá da cachoeira Límpida, e os paralelepípedo a trepidar Na madeira da roda das carroça, barulheira (nossa) Sombra de laranjeira, que Mangueira, pé de caqui Caixa de feira e moleque Coro de lavadeira, na trilha Mulher que, é pilar da família Sem pé de bréqui Beira de brejo, rêgo, tinha Nego quietim pescando manjubinha Criame de porco, matadô de galinha Caçador de preá, teú, ranzinha Todo dia paz, gritaria, caminhão do gás Pré escola, meu bom, crepom e tenaz Máquinas de costura, chita e zaz-tráz Puramente, pura, gente, jura, quente, ai, ai, ai Hoje veio o progresso, pode olhar Asfalto e som alto, pode olhar Fumaça e concreto, pode olhar Antena e contrato, pode olhar Hoje veio o progresso, pode olhar Asfalto e som alto, pode olhar Fumaça e concreto, pode olhar Antena e contrato, pode olhar As kombi trocava garrafa por doce, qualquer que fosse É, tipo gibi de amendoim (oxe) Paçoca, quindim, magina O enxame de vasilhame ao toque das buzina Catequese, comunhão, salve Cosme e Damião Oxalá, Jesus, despacho, oração Sonho era pião, bola de capotão E nós, barrigudim, correndo atrás dos caminhão Arame farpado e caco de vidro no muro Colocado já deixava seguro Colchas de fuxico, flores, muito rico Cores e um sonho: descer de barco o Velho Chico Home, conheço todo mundo de nome São leis de onde crime era roubar frutas lá do japonês Te falar, rapaz Chamam de cidade grande, mas antes parecia bem mais Hoje veio o progresso, pode olhar Asfalto e som alto, pode olhar Fumaça e concreto, pode olhar Antena e contrato, pode olhar Hoje veio o progresso, pode olhar Asfalto e som alto, pode olhar Fumaça e concreto, pode olhar Antena e contrato, pode olhar Eles me oferecem contratos de milhão Pra mim sozinho Eu penso, e digo não Por que meus sonho é tudo baratinho